Corpo e mente

Sabe quando você se sente perdido? Está no caminho, seguindo sua vida e obrigações. Seus amigos sabem onde te encontrar, suas contas chegam até você e até os vizinhos sabem em qual porta bater para falar contigo. Mas dentro de ti, existe um labirinto com tantos caminhos obscuros que nem você mesmo conhece todos eles.

É assim que tenho me sentido. Como se algumas chaves para determinadas portas, habitassem dentro de mim em algum canto da minha psique e ao passo de formiga, vou abrindo uma a uma e desvendando os mistérios do meu Inconsciente.

Apesar de estar empregada, com uma boa vida, família e amigos em dia; sinto como se estivesse só e perdida. A vida perdeu um pouco do brilho desde aquele dia em 2018. Na verdade, bem antes disso, mas eu estava entorpecida demais com as falsas verdades para notar.

Hoje eu busco uma vida mais equilibrada, mais sólida em princípios e valores - o que deveria ser algo bom - mas isso só serviu para que muitas pessoas se afastassem. Talvez eu seja a pílula vermelha delas ou um espelho muito incômodo de coisas que elas não querem olhar? Não sei...

Minha terapeuta me disse para eu trabalhar mais as percepções do meu corpo e nossa, ele tem muita coisa para dizer após tantos anos de abuso, violência, negligência e invisibilidade. Ouvindo mais meu corpo e meu sentir, percebo que existe algo latente em mim desde meu nascimento, que nunca nem sequer foi cogitado investigar.

Não culpo meus pais. Eles fizeram o melhor que podiam com as condições sociais em que vivíamos. Mas ainda assim, existe uma criança interior que os culpa. Parece contraditório, eu sei.

Queria que minha vida fosse diferente, mas se o fosse, não seria eu e sim, outra pessoa. Como será que é ser outra pessoa? Já pensou nisso? Eu sim. As vezes. Quando me canso de ter de lidar com meus processos e desafios. Tem dia que cansa demais...

Vou procurar uma psiquiatra ou neuropsicóloga para fazer algumas investigações em breve. O custo é alto. Graças a Deus/Deusa que tenho condições para tal. A saúde mental no Brasil é uma merda - efetiva em tratamentos, mas muito cara para a maioria. 

Até lá eu continuo nas minhas observações e anotações. Mesclando dias felizes com dias ruins. Usando as ferramentas que tenho, cultivando minha espiritualidade que hoje em dia, é uma das poucas coisas que me trazem para a sanidade.

E você? O que te faz sã hoje?

xoxo ♥~

4 comentários:

  1. Oi Amanda!
    Me identifico muito com esse sentimento. Achei seu texto meio enigmático e não me sinto a vontade para vir aqui com achismos, então espero que você se sinta bem no processo de se autoconhecer e descobrir, e que consiga encontrar um conforto em algum momento.

    Me vejo muito nesse lugar de ambiguidade, sabe? Mas fiquei com a impressão de que no seu caso você está bem no mundo externo e vivendo um caos no seu mundo interno, e pra mim é mais o oposto (me sinto bem comigo mesma e com minhas escolhas, mas sinto que o mundo a minha vonta não está e isso me deixa em conflito, hahaha).

    Eu estou fazendo avaliação com um neuropsicólogo, num valor ok. Se vc tiver convênio, pode combinar com o profissional pra fazer recibos ou NF de psicoterapia e pedir reembolso. Nem sempre é muito, mas já ajuda um tico.
    Não me incomodo nadaaaaa de trocar sobre o processo contigo se quiser! Mas tô esperando ele finalizar, pra ver como que o neuropsi vai fazer o relatório (sou psicóloga também, então eu quero saber se tá bem feito antes de sair indicando, hahaha). Também tenho discutido em terapia qual é a minha demanda com isso, e as demandas objetivas (parar de passar perrengue com demandas malucas no trabalho, por exemplo, super interesseira). Acho que fazer um psicodiagnóstico e uma avaliação neuropsi é sobre tentar descobrir se você tem demandas que podem ser melhor cuidadas, sabe? No meu caso eu sempre tive muitas hipóteses com as psicólogas que me acompanhavam, e nada que fechasse um diagnóstico específico, mas eu sinto que eu sei lidar com minhas demandas e prejuízos independente se eles são questões de desenvolvimento, cognitivas ou de personalidade. Em função do trabalho e de alguma relações tóxicas, eu decidi que precisava saber se tinha algo fora da curva comigo, tanto pra poder dizer "eu tenho isso, não me enche" quanto dizer "eu não tenho nada, não me enche". Mas enfim, essa é a minha experiência, né?

    Respondendo seu comentário lá no blog: menine, nem precisa agradecer o comentário ♥ acho que na verdade eu sou tagarela, hahaha! E agradeço as dicas - eu tô esperando um pouco os resultados da avaliação pra entender o que eu preciso efetivamente pra me regular melhor, mas eu tenho mesmo uma hipersenbilidade a sons e luzes, e imagina, metrô lotado em SP todo dia? Me deixa exausta mesmo. Obrigada pelo carinho e fique bem, viu? <3

    Beijinhos!

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    1. Oiee, como tem estado? Gratidão pelo comentário <3

      Estou em um processo de avaliação também! Comecei hoje e já tenho uma pilha de formulários e testes para preencher. No meu caso também tenho bastante problema com o interno e externo lol. Barulhos, pessoas, ambientes cheios, luz, cheiros....

      Além de estar com muitos questionamentos internos. Resolvi que o melhor caminho era buscar ajuda mesmo para poder acolher e acomodar essas questões que comentou: relações, trabalho e vida cotidiana.

      Gosto de estar comigo mesma, mas ao mesmo tempo minha cabeça não para!

      Em breve teremos algum diagnóstico e compartilho contigo também! A profissional que estou passando foi uma recomendação da minha terapeuta - que inclusive também é neurodivergente =)

      Mas sei que é só uma fase e ambas iremos ficar bem. Também sou bem tagarela hahahaha então nem fique com receio de falar bastante.

      Vou dar um pulinho no seu blog sempre que puder!

      xoxo ♥

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  2. Não acho nada contraditório uma criança interior que culpa os pais. Na realidade, acho que a criança interior perceber os desrespeitos que sofreu faz parte desse movimento de emancipação. Você adulta sabe melhor do que a criança interior, então tá tudo bem.
    Penso que se as coisas tivessem sido diferentes, eu só teria traumas diferentes. Infelizmente a propensão ao trauma já nasceu comigo, o melhor que posso fazer é trabalhar com as ferramentas que tenho.
    Entendo esse afastamento das pessoas a partir do momento em que mudamos. É natural. Contando que sua mudança seja por você e te faça bem, é questão de valorizar quem fica, não? Não sei, só estou especulando. Vai ver pra você é totalmente diferente, hah.
    Não sei dizer o que me mantém sã. Acho, sinceramente, que são os remédios. A terapia ajuda, sim, e muito. Mas acho que ela não seria tão produtiva se meu antidepressivo não calasse um pouco as minhas minhoquinhas na cabeça.
    Beijinhos.
    camundonguinha

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    1. Oi!
      É isso mesmo, as percepções enquanto adulta, são bem diferentes das que eu tinha quando criança - apesar de já ser uma criança bem consciente de si.
      Hoje tenho pouquíssimos amigos, mas foram os que eu escolhi para estarem junto de mim e que entendo fazerem sentido na minha vida.
      Sobre sua depressão, sinta-se abraçada. Não deve ser fácil, mas que bom que os remédios e a terapia ajudam.
      Vamos vivendo um dia de cada vez e vai ficar tudo bem ♥
      Gratidão pelo comentário!

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